“A escola é uma extensão da sua casa, trate-a bem, que ela lhe renderá muitos frutos.”
Gustavo Bottaro
( aluno do curso pré-vestibular colégio Meta do ano de 2011)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CULTURA MATERIAL E IMATERIAL: EXERCÍCIO E GABARITO

1) O artesanato traz as marcas de cada cultura e, desse modo, atesta a ligação do homem com o meio social em que vive. Os artefatos são produzidos manualmente e costumam revelar uma integração entre homem e meio ambiente, identificável no tipo de matéria-prima utilizada.
Pela matéria-prima (o barro) utilizada e pelos tipos humanos representados, em qual região do Brasil o artefato acima foi produzido?

(A) Sul. (B) Norte. (C) Sudeste. (D) Nordeste. (E) Centro-Oeste.

2) Quatro olhos, quatro mãos e duas cabeças formam a dupla de grafiteiros "Osgemeos". Eles cresceram pintando muros do bairro Cambuci, em São Paulo, e agora têm suas obras expostas na conceituada Deitch Gallery em Nova lorque, prova de que o grafite feito no Brasil é apreciado por outras culturas. Muitos lugares abandonados e sem manutenção pelas prefeituras das cidades tornam-se mais agradáveis e humanos com os grafites pintados nos muros. Atualmente, instituições públicas educativas recorrem ao grafite como forma de expressão artística, o que propicia a inclusão social de adolescentes carentes, demonstrando que o grafite é considerado uma categoria de arte aceita e reconhecida pelo campo da cultura e pela sociedade local e internacional.

Disponível em: http://www.fIickr.com. Acesso em: 10 set. 2008 (adaptado).

No processo social de reconhecimento de valores culturais, considera-se que

(A) grafite é o mesmo que pichação e suja a cidade, sendo diferente da obra dos artistas.
(B) a população das grandes metrópoles depara-se com muitos problemas sociais, como os grafites e as pichações.
(C) atualmente, a arte não pode ser usada para inclusão social, ao contrário do grafite.
(D) os grafiteiros podem conseguir projeção internacional, demonstrando que a arte do grafite não tem fronteiras culturais.
(E) lugares abandonados e sem manutenção tornam-se ainda mais desagradáveis com a aplicação do grafite.

3) O índio do Xingu, que ainda acredita em Tupã, assiste pela televisão a uma partida de futebol que acontece em Barcelona ou a um show dos Rolling Stones na praia de Copacabana. Não obstante, não há que se iludir: o índio não vive na mesma realidade em que um morador do Harlem ou de Hong Kong, uma vez que são distintas as relações dessas diferentes pessoas com a realidade do mundo moderno; isso porque o homem é um ser cultural, que se apoia nos valores da sua comunidade, que, de fato, são os seus. GULLAR, F. Folha de S. Paulo. São Paulo: 19 out. 2008 (adaptado).

Ao comparar essas diferentes sociedades em seu contexto histórico, verifica-se que
(A) pessoas de diferentes lugares, por fazerem uso de tecnologias de vanguarda, desfrutam da mesma realidade cultural.
(B) o índio assiste ao futebol e ao show, mas não é capaz de entendê-Ios, porque não pertencem à sua cultura.
(C) pessoas com culturas, valores e relações diversas têm, hoje em dia, acesso às mesmas informações.
(D) os moradores do Harlem e de Hong Kong, devido à riqueza de sua História, têm uma visão mais aprimorada da realidade.
(E) a crença em Tupã revela um povo atrasado, enquanto os moradores do Harlem e de Hong Kong, mais ricos, vivem de acordo com o presente.

4) Desgraçado progresso que escamoteia as tradições saudáveis e repousantes. O 'café' de antigamente era uma pausa revigorante na alucinação da vida cotidiana. Alguém dirá que nem tudo era paz nos cafés de antanho, que havia muita briga e confusão neles. E daí? Não será por isso que lamento seu desaparecimento do Rio de Janeiro. Hoje, se houver desaforo, a gente o engole calado e humilhado. Já não se pode nem brigar. Não há clima nem espaço.

ALENCAR, E. Os cafés do Rio. In: GOMES, D. Antigos cafés do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Kosmos, 1989 (adaptado).

O autor lamenta o desaparecimento dos antigos cafés pelo fato de estarem relacionados com

(A) a economia da República Velha, baseada essencialmente no cultivo do café.
(B) o ócio ("pausa revigorante") associado ao escravismo que mantinha a lavoura cafeeira.
(C) a especulação imobiliária, que diminuiu o espaço disponível para esse tipo de estabelecimento.
(D) a aceleração da vida moderna, que tornou incompatíveis com o cotidiano tanto o hábito de "jogar conversa fora" quanto as brigas.
(E) o aumento da violência urbana, já que as brigas, cada vez mais frequentes, levaram os cidadãos a abandonarem os cafés do Rio de Janeiro.

5) O Cafundó é um bairro rural situado no município de Salto de Pirapora, a 150 km de São Paulo. Sua população, predominantemente negra, divide-se em duas parentelas: a dos Almeida Caetano e a dos Pires Pedroso. Cerca de oitenta pessoas vivem no bairro. Dessas, apenas nove detêm o título de proprietários legais dos 7,75 alqueires de terra que constituem a extensão do Cafundó, que foram doados a dois escravos, ancestrais de seus habitantes atuais, pelo antigo senhor e fazendeiro, pouco antes da Abolição, em 1888. Nessas terras, seus moradores plantam milho, feijão e mandioca e criam galinhas e porcos. Tudo em pequena escala. Sua língua materna é o português, uma variação regional que, sob muitos aspectos, poderia ser identificada como dialeto caipira. Usam um léxico de origem banto, quimbundo principalmente, cujo papel social é, sobretudo, de representá-Ios como africanos no Brasil.
Disponível em: . Acesso em: 6 abr. 2009 (adaptado).

O bairro de Cafundó integra o patrimônio cutural do Brasil porque

(A) possui terras herdadas de famílias antigas da região.
(B) preservou o modo de falar de origem banto e quimbundo.
(C) tem origem no período anterior à abolição da escravatura.
(D) pertence a uma comunidade rural do interior do estado de São Paulo.
(E) possui moradores que são africanos do Brasil e perderam o laço com sua origem.

6) Hoje em dia, nas grandes cidades, enterrar os mortos é uma prática quase íntima, que diz respeito apenas à família. A menos, é claro, que se trate de uma personalidade conhecida. Entretanto, isso nem sempre foi assim. Para um historiador, os sepultamentos são uma fonte de informações importantes para que se compreenda, por exemplo, a vida política das sociedades.
No que se refere às práticas sociais ligadas aos sepultamentos,

A na Grécia Antiga, as cerimônias fúnebres eram desvalorizadas, porque o mais importante era a democracia experimentada pelos vivos.
B na Idade Média, a Igreja tinha pouca influência sobre os rituais fúnebres, preocupando-se mais com a salvação da alma.
C no Brasil colônia, o sepultamento dos mortos nas igrejas era regido pela observância da hierarquia social.
D na época da Reforma, o catolicismo condenou os excessos de gastos que a burguesia fazia para sepultar seus mortos.
E no período posterior à Revolução Francesa, devido às grandes perturbações sociais, abandona-se a prática do luto.

7) A Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desenvolveu o projeto “Comunidades Negras de Santa Catarina”, que tem como objetivo preservar a memória do povo afrodescendente no sul do País. A ancestralidade negra é abordada em suas diversas dimensões: arqueológica, arquitetônica, paisagística e imaterial. Em regiões como a do Sertão de Valongo, na cidade de Porto Belo, a fixação dos primeiros habitantes ocorreu imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil. O Iphan identificou nessa região um total de 19 referências culturais, como os conhecimentos tradicionais de ervas de chá, o plantio agroecológico de bananas e os cultos adventistas de adoração. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=14256&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia.
Acesso em: 1 jun. 2009. (com adaptações).

O texto permite analisar a relação entre cultura e memória, demonstrando que

(A) as referências culturais da população afrodescendente estiveram ausentes no sul do País, cuja composição étnica se restringe aos brancos.
(B) a preservação dos saberes das comunidades afrodescendentes constitui importante elemento na construção da identidade e da diversidade cultural do País.
(C) a sobrevivência da cultura negra está baseada no isolamento das comunidades tradicionais, com proibição de alterações em seus costumes.
(D) os contatos com a sociedade nacional têm impedido a conservação da memória e dos costumes dos quilombolas em regiões como a do Sertão de Valongo.
(E) a permanência de referenciais culturais que expressam a ancestralidade negra compromete o desenvolvimento econômico da região.

8) Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de "tropa" que, no passado, se referia ao conjunto de homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido).
Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado.
Disponível em http://www.tribunadoplanalto.com.br. Acesso em: 27 nov. 2008.

A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à

a) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas.
b) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas.
c) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria.
d) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos.
e) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro.

9) As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade cultural dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos antigos revoltosos.
Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de

a) objetos arqueológicos e paisagísticos.
b) acervos museológicos e bibliográficos.
c) núcleos urbanos e etnográficos.
d) práticas e representações de uma sociedade.
e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.

10) O artigo 402 do Código Penal Brasileiro de 1890 dizia: Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação de capoeiragem: andar em correrias, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordens. Pena: Prisão de dois a seis meses.
SOARES, C. E. L. A Negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro: 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994 (adaptado).

O artigo do primeiro Código Penal Republicano naturaliza medidas socialmente excludentes. Nesse contexto, tal regulamento expressava

a) a manutenção de parte da legislação do Império com vistas ao controle da criminalidade urbana.
b) a defesa do retorno do cativeiro e escravidão pelos primeiros governos do período republicano.
c) o caráter disciplinador de uma sociedade industrializada, desejosa de um equilíbrio entre progresso e civilização.
d) a criminalização de práticas culturais e a persistência de valores que vinculavam certos grupos ao passado de escravidão.
e) o poder do regime escravista, que mantinha os negros como categoria social inferior, discriminada e segregada.

GABARITO COMENTADO

Questão 1

» Gabarito:

D

» Resolução:

Uma das importantes atrações turísticas na região Nordeste é o artesanato. Para elaborar suas peças, os artesãos nordestinos utilizam vários materiais oriundos da flora e da fauna nativas, tais como palha (de bananeira, de milho); juta; bambu; vime (vara tenra e flexível do vimeiro); areia colorida; tinta de casca de árvore (como o urucum); pedras; conchas; barro; casca de coco; chifre; couro; tecido; penas; linha; madeira (cedro, vinhático, aroeira, peroba, jequitibá, canela); osso, entre outros.


No artefato retratado na questão, veem-se o chapéu característico de couro, à semelhança dos usados pelos cangaceiros, com enfeites variados, adornos como lenços, colares, anéis e acessórios de couro, como botas e coletes – uma indumentária que compõe e identifica a imagem típica do nordestino.



Questão 2

» Gabarito:

D

» Resolução:

Grafite é o nome dado às inscrições feitas em paredes, em geral uma inscrição ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte, sobretudo em espaços públicos.


De caráter contestador e irreverente, surgiu no final da década de 1970, em Nova Iorque, como decorrência de movimentos culturais das minorias excluídas.


No grafite, a manifestação artística pode existir ou não. Seus preceitos baseiam-se em desenhos e formas coloridos e elaborados, não raro feitos com intenções críticas.


Não se trata de pichação, embora muitos assim o considerem. Mas um e outro refletem a realidade das ruas, onde se encontra sua essência. É um movimento organizado nas artes plásticas, em que o artista intervém em espaços públicos por meio de uma linguagem própria, demonstrando sua forma de ver o mundo e criando uma nova identidade visual em territórios urbanos.


O texto utilizado na questão pretende informar que o grafite é uma arte inclusiva e sem fronteiras culturais.



Questão 3

» Gabarito:

C

» Resolução:

Na atualidade, as sociedades humanas se intercambiam e buscam promover a inclusão, o que não quer dizer que a desigualdade não exista, tanto no aspecto cultural como no econômico.


Os povos se encontram em estágios culturais e econômicos diferentes. Forma-se assim um quadro complexo: como produto de sua cultura, o homem vê a realidade fazendo uso dos instrumentos que esta lhe confere, portanto, existem conceitos diferentes para o mesmo fenômeno observado, o que de certo modo traduz o mundo em sua complexidade e diversidade.



Questão 4

» Gabarito:

D

» Resolução:

A partir do século XIX a vida social do Rio de Janeiro se desenvolvia nos antigos cafés, a exemplo do que acontecia em outras metrópoles como Paris. Eram ponto de encontro de intelectuais, de boêmios, dos contadores de anedotas e também de quem desejava manter uma conversa descompromissada.


Em resumo, o café era uma pausa. Hoje, as exigências da vida moderna acabaram com essa possibilidade.



Questão 5

» Gabarito:

B

» Resolução:

Certos traços culturais encontrados no Brasil contemporâneo, em bairros como o Cafundó, por exemplo, de fato existem ou existiram na África. Com essa prática, restabelecem-se as genealogias culturais e se mapeia a maternidade dos “africanismos” encontrados no Brasil.


Em uma abordagem mais histórica, o papel social da língua africana do Cafundó está relacionado com outras manifestações culturais – como o candomblé, o congo, a capoeira – que continuaram a ser praticadas no Brasil em várias comunidades negras.



Questão 6

» Gabarito:

C

» Resolução:

A hierarquia da sociedade colonial brasileira permeava todos os âmbitos da vida política, econômica e social da colônia. Assim, as famílias de maior poder sentavam-se, nas igrejas, mais próximas ao altar, e enterravam seus mortos no interior delas, enquanto aqueles com menor prestígio eram sepultados nos terrenos vizinhos.



Questão 7

» Gabarito:

B

» Resolução:

O Estado brasileiro, nos últimos anos, tem procurado desenvolver políticas de reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades quilombolas, além disso, é patente o trabalho de ONGs e de órgãos do Estado para preservar a memória dessas comunidades.




Questão 8

» Gabarito:

C

» Resolução:

Essa questão privilegia a habilidade de leitura do candidato, pois sua resposta está no texto. A criação do feijão tropeiro não está relacionada à atividade mineradora, o que elimina A, mas à atividade comercial e pecuária desenvolvida a partir dessa economia, o que exclui B e E. Apesar de a agropecuária ser um dos componentes, o objetivo da tropa era o comércio, ou seja, a atividade mercantil, o que elimina D.



Questão 9

» Gabarito:

A

» Resolução:

As ruínas de Canudos foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan por reunirem um conjunto objetos arqueológicos na área. Não há ali um acervo bibliográfico (livros) ou museológico (esculturas, quadros, documentos etc.), o que exclui B. Também não há um núcleo etnográfico diretamente ligado à região ou ao movimento de Canudos, o que elimina C. Por fim, não há registros de técnicas de uma sociedade extinta — ela tinha técnicas e modos das sociedades agrárias de sua época, os quais modificaram-se ao longo do tempo até os nossos dias —, o que exclui E.



Questão 10

» Gabarito:

D

» Resolução:

O artigo transcrito no enunciado da questão demonstra a vontade dos primeiros governos republicanos brasileiros em criminalizar práticas culturais e valores considerados inferiores pelos grupos dominantes — no caso, a capoeira. Assim, a intenção não visava simplesmente o controle da criminalidade urbana, o que exclui A. O artigo, no entanto, não defendia a volta da escravidão ou do regime escravista, o que elimina B e E. A sociedade brasileira dos primeiros anos da república ainda não era considerada industrializada, e sim agroexportadora, o que exclui C.




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